Adeus a Dnei: fotógrafo que ajudou a contar a história de Rondonópolis pelas lentes da imprensa

A morte do repórter fotográfico Valdiney Matos, o Dnei Matos, deixa uma lacuna difícil de ser preenchida na imprensa de Rondonópolis e de toda a região Sudeste de Mato Grosso. Dnei faleceu nesta segunda-feira (29), vítima de um infarto fulminante, e será sepultado na manhã desta terça-feira (30), deixando um legado construído ao longo de décadas de dedicação ao fotojornalismo.


Mais do que um fotógrafo, Dnei representava uma geração de profissionais formados na prática, nas ruas e nas redações dos jornais impressos. Sua trajetória profissional foi moldada dentro da redação do jornal *A Tribuna*, no início dos anos 2000, período em que o impresso vivia um dos momentos de maior influência na formação da opinião pública e a concorrência entre os veículos de comunicação era intensa.


Na época, o jornal necessitava de um fotógrafo exclusivo para atender a crescente demanda da redação. Foi nesse ambiente de intensa produção jornalística que Dnei aperfeiçoou seu talento. Além da fotografia, dominava os processos gráficos, conhecimento que adquiriu no dia a dia das redações e que o transformou em um profissional completo.


Nas ruas, teve a oportunidade de conviver e aprender com alguns dos maiores nomes da fotografia mato-grossense, entre eles Juperany Devilart, Matuzalém Teixeira, Nilse Guirado, Magno Jorge e Evilázio Alves. Observando o trabalho desses profissionais, absorveu técnicas, sensibilidade e experiência que levaria por toda a carreira.


Durante quase duas décadas, Dnei esteve presente nos principais acontecimentos que marcaram a história recente de Rondonópolis. Pelas lentes de sua câmera registrou momentos importantes da política local, como a reeleição de Percival Muniz em 2000, a vitória de Adilton Sachetti em 2004 e a eleição de Zé Carlos do Pátio em 2008.


No jornalismo policial, construiu uma carreira respeitada. Era conhecido por estar sempre presente nos locais onde os fatos aconteciam. Formou duplas memoráveis com os repórteres Pedro Ribeiro, já falecido, e posteriormente com Ailton Lima, o Costinha, produzindo uma cobertura que marcou época no noticiário policial da cidade.


Seu arquivo fotográfico reúne imagens históricas de grandes apreensões de drogas, operações policiais, prisões de personagens que ganharam notoriedade e das rebeliões registradas na Penitenciária da Mata Grande, episódios que marcaram a segurança pública da região.


No esporte, eternizou momentos de glória do futebol rondonopolitano, acompanhando os títulos conquistados pelo União Esporte Clube e pelo Vila Aurora. Também registrou grandes eventos da cidade, como as edições da Exposul, além de inúmeras coberturas políticas, sociais e econômicas.


A partida de Dnei representa a despedida de um profissional que fez da fotografia um instrumento para preservar a memória de Rondonópolis. Seu trabalho permanece vivo nas páginas dos jornais, nos arquivos da imprensa e, principalmente, na história da cidade, que durante anos foi contada através do olhar atento e sensível de quem transformava acontecimentos em imagens que jamais serão esquecidas.

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Redação GNMT