Datafolha aponta que direita ultrapassa esquerda entre eleitores brasileiros pela primeira vez desde 2014

Uma pesquisa divulgada pelo Instituto Datafolha revelou uma mudança significativa no cenário político brasileiro: a identificação dos eleitores com a direita superou a da esquerda pela primeira vez desde 2014.

De acordo com o levantamento, 44% dos brasileiros se posicionam como de direita ou centro-direita, enquanto 39% se identificam com a esquerda ou centro-esquerda. A diferença de cinco pontos percentuais está acima da margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos.

O estudo foi realizado nos dias 17 e 18 de junho de 2026, com 2.004 eleitores em 139 municípios brasileiros, e possui nível de confiança de 95%. A classificação ideológica foi definida com base em um questionário que abordou temas sociais, culturais e econômicos, incluindo opiniões sobre segurança pública, pobreza, religião, impostos e papel do Estado.

Mudanças ao longo dos anos

O resultado atual marca uma inversão em relação ao cenário de 2022, quando a esquerda liderava com 49% das identificações, contra 34% da direita. Já em 2017, havia um empate técnico entre os grupos.

Em 2014, último momento em que a direita esteve à frente, os números eram ainda mais expressivos: 45% para a direita e 35% para a esquerda.

Comportamento e economia influenciam resultado

Segundo o Datafolha, a principal mudança ocorreu nas questões comportamentais. Atualmente, 52% dos entrevistados se alinham à direita nesse eixo, enquanto 29% se identificam com a esquerda e 20% com o centro.

Um dos pontos de maior mudança foi a percepção sobre a pobreza. Em 2022, 76% dos entrevistados acreditavam que a pobreza estava relacionada à falta de oportunidades, enquanto 22% atribuíam à falta de vontade de trabalhar. Em 2026, o percentual que associa a pobreza à “preguiça” subiu para 40%, enquanto os que apontam a falta de oportunidades caíram para 58%.

Também houve alteração na opinião sobre posse de armas. Em 2022, 63% defendiam a proibição, número que caiu para 55%. Já os que apoiam o direito de possuir armas legalizadas passaram de 35% para 41%.

Distribuição ideológica

Na divisão mais detalhada, 15% dos entrevistados se identificam como de direita, 29% como centro-direita, 17% como centro, 26% como centro-esquerda e 13% como esquerda.

Em comparação com 2022, houve crescimento nos grupos de direita (de 9% para 15%) e centro-direita (de 24% para 29%). Por outro lado, a centro-esquerda caiu de 32% para 26%, e a esquerda de 17% para 13%. O centro permaneceu estável em 17%.

Cenário político em transformação

Os dados indicam uma mudança no perfil ideológico do eleitorado brasileiro, especialmente em temas ligados a costumes e segurança. O levantamento sugere que o país passa por uma reconfiguração política, que pode impactar diretamente os próximos ciclos eleitorais.

A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09956/2026.

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Redação GNMT