A Justiça de Mato Grosso manteve para a próxima sexta-feira (31) o julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, conhecido como Carlinhos Bezerra, réu confesso pelo assassinato da ex-companheira Thays Machado e do namorado dela, Willian Cesar Moreno. A decisão foi proferida pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, que rejeitou o pedido da defesa para ser afastada da condução do processo.
A magistrada entendeu que os argumentos apresentados pelos advogados demonstram apenas inconformismo com decisões tomadas ao longo da ação e não configuram hipótese legal de suspeição. Apesar disso, determinou o encaminhamento do pedido ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), sem interromper o andamento do processo.
A juíza também negou o pedido da Defensoria Pública para deixar de atuar no caso. O órgão permanecerá nomeado de forma subsidiária e somente assumirá a defesa caso os advogados particulares do réu não compareçam ao julgamento ou abandonem novamente a sessão.
O Tribunal do Júri está marcado para começar às 9h, no Fórum de Cuiabá. A sessão havia sido inicialmente iniciada no último dia 21, mas acabou suspensa após a saída da equipe de defesa do plenário.
A defesa de Carlos Alberto solicitou o afastamento da magistrada e insistiu na realização de um incidente de insanidade mental, alegando indícios de transtornos psiquiátricos e falta de acesso completo aos documentos do processo. Os pedidos, no entanto, foram rejeitados pela Justiça.
Segundo a decisão, não existem elementos que coloquem em dúvida a imparcialidade da juíza na condução do caso.
Carlos Alberto Gomes Bezerra é filho do ex-deputado federal Carlos Bezerra e responde pelo assassinato da ex-companheira Thays Machado e de Willian Cesar Moreno.
De acordo com o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), Thays foi vítima de feminicídio motivado pelo inconformismo com o fim do relacionamento. Já Willian teria sido morto por motivo torpe, mediante recurso que dificultou sua defesa e com uso de meio cruel.
A acusação sustenta que o crime foi cometido em plena luz do dia, em uma área urbana movimentada, utilizando uma pistola semiautomática, em um contexto de violência doméstica e de gênero.
O julgamento desta sexta-feira definirá se o Conselho de Sentença condenará ou absolverá o réu pelas acusações apresentadas pelo Ministério Público.