A apreensão de uma carga de madeira impregnada com cocaína líquida em Cáceres (MT) e Corumbá (MS) revelou um esquema internacional de tráfico de drogas que agora está sob investigação da Polícia Federal e da Receita Federal. Apesar da descoberta da droga, toda a carga estava regular nos registros oficiais de importação e exportação.
Segundo a Receita Federal, os oito caminhões interceptados haviam sido devidamente declarados por meio do Portal Único de Comércio Exterior. As cargas transportavam madeiras das espécies aroeira e cedro, utilizadas principalmente na fabricação de móveis.
Agora, as autoridades buscam esclarecer se as empresas transportadoras tinham conhecimento do esquema criminoso ou se a adulteração da carga ocorreu em algum momento após o carregamento. Como o transporte internacional pode envolver diferentes empresas até o destino final, todas as etapas da logística serão analisadas.
A operação foi desencadeada após troca de informações de inteligência entre autoridades do Brasil, Estados Unidos e Bolívia. Com base nos dados compartilhados, os veículos passaram a ser monitorados e acabaram interceptados dentro dos recintos alfandegados de Cáceres e Corumbá. Nenhuma prisão foi realizada até o momento.
A ação contou com a participação da Receita Federal, Polícia Federal, Exército Brasileiro, autoridades norte-americanas e da Fuerza Especial de Lucha Contra el Narcotráfico (FELCN), da Bolívia.
Segundo a Receita Federal, a apreensão pode ser a maior já registrada no Brasil em volume de cocaína e a segunda maior do mundo, caso as estimativas sejam confirmadas.
A operação ocorreu em uma Área de Controle Integrado (ACI), modelo que permite a atuação conjunta de autoridades de diferentes países em procedimentos de fiscalização de fronteira.
Ao todo, oito caminhões foram apreendidos, sendo quatro em Cáceres e quatro em Corumbá. Testes preliminares confirmaram a presença de cocaína na madeira, mas a quantidade exata da droga ainda depende de análises laboratoriais.
Com base em apreensões semelhantes realizadas anteriormente, investigadores estimam que entre 10% e 20% do peso total da carga seja composto por cocaína. Caso a projeção se confirme, o volume pode variar entre 20 e 50 toneladas do entorpecente.
Imagens divulgadas pelas autoridades mostram cães farejadores auxiliando na identificação da droga e agentes perfurando a madeira para coleta de amostras submetidas a testes preliminares.
As investigações também apontam possível ligação com uma apreensão realizada no Chile no último dia 6, quando autoridades interceptaram cerca de 100 toneladas de cocaína líquida escondidas em madeira proveniente da Bolívia.
De acordo com informações compartilhadas pelos Estados Unidos, as duas operações estariam relacionadas e teriam origem no mesmo local de produção da droga em território boliviano.
A Polícia Federal segue investigando a cadeia logística da carga para identificar os responsáveis pelo esquema e determinar em qual etapa ocorreu a inserção da cocaína no material transportado.