Após quase 38 anos de tramitação na Justiça, o caso conhecido como “Chacina de Juara” teve um desfecho nesta terça-feira (2), com a absolvição de todos os acusados pelo Tribunal do Júri da Comarca de Sinop. O julgamento durou mais de 10 horas.
Considerado um dos processos criminais mais antigos do norte de Mato Grosso, o caso remonta a janeiro de 1988, quando três homens foram retirados da cadeia pública de Porto dos Gaúchos e mortos em um episódio que marcou a história da região.
Durante a sessão, foram ouvidas testemunhas, realizados os interrogatórios dos réus e apresentados os argumentos da acusação e da defesa. Ao final, os jurados analisaram as acusações relacionadas às mortes de Ademir Marques Ramos, Luiz Carlos Andrade dos Santos e João Batista da Silva.
O Conselho de Sentença reconheceu que os homicídios ocorreram, mas decidiu absolver todos os seis acusados.
No caso de Donizete Aparecido Silva, os jurados entenderam que não havia provas suficientes de que ele participou da morte de Ademir. Já em relação às mortes de Luiz e João, a absolvição ocorreu por meio do chamado quesito absolutório genérico.
Hildo Deodato Siqueira e Jonas Dante foram absolvidos por negativa de autoria, após os jurados concluírem que não ficou comprovada a participação deles nos crimes.
Já Hilton Giocondo Saporski, Agapito Generoso Batista e Sergio Gaspar Branco também foram absolvidos por decisão dos jurados através do quesito absolutório genérico, mecanismo previsto na legislação que permite ao júri absolver um acusado mesmo após reconhecer a existência do crime e indícios de autoria.
As vítimas haviam sido presas sob suspeita de participação em um latrocínio ocorrido na região. Posteriormente, foram retiradas da unidade prisional em Porto dos Gaúchos e levadas para uma praça em Juara.
Segundo os autos do processo, os três homens foram submetidos a agressões e mortos. Os corpos foram deixados expostos em praça pública, em um crime que ganhou grande repercussão à época.
Ao longo das últimas décadas, a ação penal envolveu 59 denunciados. Parte dos acusados foi absolvida em julgamentos anteriores, enquanto outros tiveram a punibilidade extinta ou deixaram de responder ao processo por falta de provas.
Com a decisão desta terça-feira, chega ao fim um dos processos criminais mais longos da história recente de Mato Grosso.