A Justiça de Mato Grosso manteve a decisão que determina a saída de Leonardo dos Santos Pires, conhecido como “Sapateiro” ou “Maresias”, do sistema penitenciário federal. Apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho no norte do estado, ele deverá retornar para um presídio de Mato Grosso após decisão assinada na última sexta-feira (15).
Leonardo, de 34 anos, acumula mais de 245 anos de condenações por diversos crimes, incluindo homicídios, tráfico de drogas e organização criminosa. Atualmente, ainda restam mais de 218 anos de pena a serem cumpridos.
A decisão foi mantida por unanimidade após a Justiça rejeitar recursos apresentados pelo Ministério Público Estadual (MPE) e Ministério Público Federal (MPF), que tentavam manter o detento no sistema federal de segurança máxima.
Segundo o magistrado Rui Ramos Ribeiro, da 5ª Vara da Comarca de Sinop, dois fatores foram determinantes para a decisão. O primeiro deles foi a absolvição de Leonardo em um caso envolvendo pichações com ameaças no Fórum de Sinop, fato que havia motivado sua transferência para o presídio federal de Catanduvas, no Paraná.
De acordo com a decisão, não apareceram provas suficientes de que ele teria ordenado as ameaças, fazendo cair o principal argumento para manutenção no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD).
Outro ponto destacado pela Justiça foi o vencimento do prazo legal do regime disciplinar. Leonardo entrou no RDD em abril de 2024 e, conforme a legislação, o isolamento máximo possui prazo de dois anos, necessitando de nova análise judicial para renovação, o que não ocorreu dentro do período previsto.
Histórico criminal
Conforme investigações da Polícia Civil, Leonardo é apontado como responsável por ordenar diversos crimes em Sinop e região, inclusive de dentro da prisão.
Entre os casos mais conhecidos está o assassinato do comerciante Luiz Ney da Silva, de 54 anos, executado a tiros dentro do próprio mercado em 2019. Pelo crime, Leonardo acabou condenado por homicídio qualificado e associação criminosa armada.
Ele também recebeu condenação de 42 anos pela morte de Guilherme Felipe Oliveira de Moura, de 22 anos, e da adolescente grávida Marina Azevedo Campos, de 17 anos, baleada durante uma troca de tiros em 2022.
Outro crime de grande repercussão ligado ao nome de Leonardo foi o assassinato do ex-zagueiro do Sinop Futebol Clube, Willian Santana, de 21 anos. O jogador acabou sequestrado e encontrado morto em 2021, após suspeitos afirmarem que a execução teria ocorrido por ordem da facção criminosa.
As investigações apontam ainda envolvimento do criminoso com tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e atuação direta no comando da facção dentro do sistema prisional.