Empresa contratada para obras em quilombo de MT é processada por manter trabalhadores em abrigo insalubre e com animais abandonados

Uma empresa contratada para construir 56 casas no Quilombo Mata Cavalo, em Nossa Senhora do Livramento, foi alvo de ação judicial após cinco trabalhadores serem resgatados em condições análogas à escravidão.

A ação foi movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT-MT) contra a empresa Gêneses Construções e Montagens Ltda. A Justiça do Trabalho concedeu liminar determinando que a empresa se abstenha de manter trabalhadores em condições irregulares, sob pena de multa de R$ 25 mil.

A decisão foi proferida pela 3ª Vara do Trabalho de Cuiabá, após fiscalização confirmar situações degradantes no local.

Condições precárias

De acordo com o MPT, os trabalhadores estavam alojados em um espaço improvisado, originalmente utilizado para armazenar materiais de construção. O ambiente apresentava estrutura deteriorada, instalações elétricas irregulares e janelas sem vedação, expondo os trabalhadores ao clima e a riscos.

Além disso, o local não possuía água potável, saneamento básico, espaço adequado para refeições ou área de convivência. O banheiro apresentava mofo, não tinha chuveiro e a água era fria, saindo diretamente de um cano.

Nos dormitórios, faltavam camas apropriadas, roupas de cama e mobiliário básico. A cozinha também não contava com geladeira, e o fornecimento de alimentos havia sido interrompido por falta de pagamento ao fornecedor. Parte da alimentação passou a ser garantida por doações de moradores da região.

Indenizações e medidas

Na ação, o MPT pede:

  • R$ 200 mil por dano moral coletivo
  • R$ 50 mil de indenização individual para cada trabalhador
  • R$ 89 mil em verbas rescisórias

Segundo a juíza responsável pelo caso, há risco de novos trabalhadores serem submetidos às mesmas condições, já que o contrato da obra ainda está em vigor.

Para a magistrada, as irregularidades constatadas violam normas básicas de proteção ao trabalho e atentam contra a dignidade, saúde e segurança dos trabalhadores.

A defesa da empresa não foi localizada até a última atualização do caso.

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Redação GNMT