Um influenciador digital de 37 anos está sendo investigado pela Polícia Civil de São Paulo por suspeita de utilizar inteligência artificial para manipular imagens de jovens evangélicas e transformá-las em vídeos com conteúdo inapropriado divulgados na internet.
De acordo com as investigações, o homem utilizava fotos reais publicadas pelas próprias fiéis nas redes sociais e aplicava técnicas conhecidas como deepfake, que permitem alterar imagens e criar cenas falsas com aparência realista. Parte das vítimas seria composta por adolescentes, incluindo uma jovem de 16 anos.
O caso é apurado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de São Mateus, na Zona Leste de São Paulo, com acompanhamento do Ministério Público e do Poder Judiciário. A principal suspeita é de violação prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), relacionada à manipulação de imagens envolvendo menores de idade.
Segundo a polícia, o investigado selecionava imagens de jovens em ambientes religiosos e utilizava ferramentas de inteligência artificial para animar ou alterar essas fotos, criando vídeos que eram publicados em plataformas como TikTok, YouTube e Instagram.
Em depoimento, ele admitiu o uso da tecnologia e afirmou que o conteúdo tinha caráter humorístico e era voltado para gerar engajamento nas redes sociais.
Além disso, vídeos publicados pelo próprio influenciador mostram comentários críticos sobre o comportamento e as vestimentas das fiéis dentro das igrejas, o que aumentou a repercussão negativa do caso.
A investigação teve início após denúncias feitas por vítimas que identificaram o uso indevido de suas imagens. Uma das jovens procurou a polícia acompanhada dos pais, o que deu origem ao inquérito.
As autoridades apuram se houve crime de simulação de conteúdo envolvendo menores, além de possíveis casos de difamação contra outras vítimas.
A pena para esse tipo de crime pode variar de um a três anos de prisão, além de multa.
Por meio de nota, a defesa afirmou que os vídeos tinham intenção de sátira e crítica de costumes, negando qualquer tentativa de exploração ou conteúdo de natureza ilegal.
O investigado também publicou vídeos pedindo desculpas a fiéis, alegando que errou na forma de se expressar e prometendo ser mais cauteloso nas próximas publicações.
O caso reforça os riscos do uso indevido da inteligência artificial, especialmente quando envolve imagens de terceiros sem autorização, além de destacar a importância da proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.
A Polícia Civil segue com as investigações para identificar outras possíveis vítimas e esclarecer todos os fatos.