Mais de 80 clientes podem ter sido vítimas de golpe; funcionários estão sem salários há dois meses e tiveram pertences trancados no local. Empresa já havia sido interditada três vezes pela Vigilância Sanitária.
A oferta, que atraiu dezenas de consumidores, reduzia o preço de dez sessões estéticas de R$ 3.999 para apenas R$ 499 – um desconto de 87,5%. A procura foi tamanha que os contratos sequer eram gerados no ato. As funcionárias orientavam os clientes a pagarem na hora, com a promessa de que a assinatura do contrato seria feita posteriormente, por e-mail. Promessa que, segundo as vítimas, nunca se cumpriu.
O fechamento foi planejado, segundo apuração da Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon). "Depois de oferecerem esses pacotes, a clínica disse que não abriria na segunda por causa do feriado e na terça por uma dedetização. Na quarta, os funcionários foram surpreendidos com as portas fechadas e sem qualquer pertence dos donos no local", detalhou o delegado Rogério Ferreira, responsável pelo caso.
O estabelecimento já havia sido interditado três vezes neste ano pela Vigilância Sanitária, mas, segundo o delegado, a empresa insistia em reabrir mesmo sem alvará. Agora, o foco da investigação é a suspeita de que a promoção foi uma artimanha para captar recursos antes do fechamento definitivo.
Os prejuízos são múltiplos:
Para os clientes: Um grupo de mensagens já reúne mais de 80 possíveis vítimas, mas apenas três formalizaram queixa na Decon até o momento.
Para os funcionários: Os seis colaboradores estão há dois meses sem receber salários e tiveram objetos pessoais trancados dentro da clínica. Eles relataram à polícia o choque com a situação, agravado pelo fato de os proprietários ostentarem uma vida de luxo nas redes sociais.
Novo alerta: Os donos do empreendimento investigado em Cuiabá possuem outra unidade de depilação a laser na cidade de Sinop, a 503 km da capital.
A Decon orienta que todos os clientes que adquiriram os
pacotes promocionais e não receberam o serviço, assim como os funcionários
lesados, procurem a delegacia para registrar ocorrência. O caso está sendo
tratado como suposta prática de crime contra as relações de consumo, e as
investigações seguem para apurar a responsabilidade dos proprietários.