VONTADE PÓSTUMA “DESEJO SER SEPULTADO EM TERRAS SAGRADAS DO POVO BÓE BORORO”, EXTERNA FOTÓGRAFO CESAR AUGUSTO

O fotógrafo e documentarista Cesar Augusto tornou pública uma carta na qual exalta a cultura Bóe Bororo, povo pelo qual foi acolhido ao longo de sua trajetória, e expressa sua gratidão pela convivência com os indígenas. No documento, ele manifesta de forma clara sua vontade póstuma de que seu funeral siga integralmente os rituais, valores e tradições da cultura indígena.

Com profundo respeito, admiração e reconhecimento, o profissional relata que, durante o período em que conviveu com o povo Bóe Bororo, aprendeu que a cultura indígena não representa apenas um modo de viver, mas uma forma profunda de compreender o mundo, a natureza, o tempo e o espírito.

Na carta, Cesar Augusto destaca sua gratidão pela hospitalidade, pelo cuidado constante, pela atenção e pelo acolhimento recebidos em cada período vivido na aldeia. “Em especial, registro minha eterna gratidão por ter sido adotado por uma família Bóe Bororo e por ter recebido um nome indígena, gesto que carrego como uma das maiores honras da minha vida”, afirma.

Segundo ele, cada vivência, ensinamento e partilha reforçaram um sentimento profundo de pertencimento e respeito sagrado pelo povo indígena. “Por isso, afirmo de forma consciente, serena e definitiva: quando minha caminhada nesta vida chegar ao fim, desejo ser sepultado em terras sagradas do povo Bóe Bororo, e que meu funeral siga integralmente os rituais, valores e tradições da cultura indígena, da forma que for considerada correta e digna pelos anciãos e pela comunidade”, escreveu.

O fotógrafo também declara que não deseja a presença de familiares não indígenas nem de qualquer pessoa externa à cultura Bóe Bororo durante seu funeral. Da mesma forma, ele não autoriza registros de qualquer natureza — sejam fotográficos, audiovisuais, escritos ou digitais. Segundo Cesar, esse momento deve permanecer restrito ao sagrado, à tradição e à memória viva do povo, sem qualquer forma de exposição ou preservação para a posteridade.

Na mesma carta, Cesar Augusto informa expressamente aos seus familiares que esta é sua última vontade, construída a partir de experiências reais, profundas e cheias de significado. “Solicito, com firmeza e respeito, que não haja qualquer obstrução, questionamento ou impedimento ao seu cumprimento. Que esta decisão seja respeitada em sua totalidade”, ressalta.

Ele também manifesta o desejo de que, em sua sepultura, não seja colocada cruz ou qualquer símbolo que não pertença à cultura Bóe Bororo. Seu pedido é que seja utilizado apenas um tronco simples e respeitoso, com uma escrita que o identifique, em harmonia com a tradição, com a terra e com o entendimento espiritual do povo.

“Que esta carta seja compreendida não como um rompimento, mas como um testemunho de pertencimento, honra, amor e gratidão eterna. O povo Bóe Bororo faz parte da minha história, da minha identidade e do meu espírito”, finalizou.

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Redação GNMT