Levantamento encomendado pela CDL mostra o peso econômico da redução de um dia útil e alerta autoridades para a necessidade de avaliar impactos antes de ampliar paralisações no calendário municipal
Quanto custa para Rondonópolis deixar de produzir, vender e prestar serviços durante um dia útil? Um estudo econômico encomendado pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Rondonópolis aponta que a redução de um único dia de atividade pode provocar impactos que chegam a R$ 33,57 milhões na economia local, quando considerados não apenas os efeitos diretos sobre comércio e serviços, mas também os reflexos sobre fornecedores, trabalhadores, transportadoras, prestadores de serviços e arrecadação pública.
O levantamento foi elaborado para mensurar os efeitos econômicos e financeiros da interrupção de um dia útil no município e serve de alerta para decisões que resultem na paralisação permanente ou eventual das atividades econômicas. O estudo considera impactos sobre comércio, serviços, emprego, produtividade, arrecadação tributária, competitividade e desenvolvimento regional.
O estudo também aponta reflexos sobre a arrecadação pública. Com a redução das vendas e da movimentação econômica, podem ser afetadas receitas como o ISS, o Valor Adicionado Fiscal (VAF), a participação do município na distribuição do ICMS e a arrecadação indireta vinculada ao consumo. Embora o efeito de um único feriado possa ser relativamente pequeno em termos percentuais, o levantamento destaca que, por se tratar de uma alteração permanente no calendário, esse impacto se torna recorrente e cumulativo ao longo dos anos.
Os números mostram o tamanho da economia que está em jogo. Comércio e serviços movimentam, juntos, cerca de R$ 93,26 milhões em um dia útil típico em Rondonópolis. Desse total, aproximadamente R$ 55,56 milhões correspondem ao comércio e R$ 37,70 milhões aos serviços. O estudo ressalta que isso não significa a perda integral desse montante em um dia parado, já que parte das vendas pode ser recuperada posteriormente, mas demonstra a dimensão da atividade econômica exposta.
A partir disso, foram construídos três cenários. No conservador, a perda direta estimada é de R$ 9,33 milhões. No moderado, chega a R$ 13,99 milhões. No cenário mais severo, alcança R$ 18,65 milhões. Com a inclusão do efeito multiplicador sobre toda a cadeia econômica, o impacto total pode variar entre R$ 13,99 milhões e R$ 33,57 milhões.
Para a CDL, a discussão ganha ainda mais relevância diante do cenário enfrentado diariamente por quem empreende. Além da necessidade de manter empregos, fluxo de caixa e investimentos, as empresas convivem com custos tributários, oscilações da economia nacional, dificuldades para contratação de mão de obra e aumento permanente das despesas operacionais.
O estudo demonstra que um dia sem faturamento não representa necessariamente um dia sem despesas. Custos com aluguel, financiamentos, sistemas, seguros, folha administrativa, tributos e outras obrigações permanecem. Já as empresas que optam por funcionar em feriados podem ter custos adicionais trabalhistas e operacionais, reduzindo suas margens.
Micro e pequenas empresas aparecem como as mais vulneráveis, principalmente porque possuem menor capital de giro, maior dependência das vendas diárias e menor capacidade de absorver custos fixos.
*Decisões precisam considerar quem produz e gera empregos*
Mais do que discutir uma data específica, o estudo coloca em pauta a necessidade de responsabilidade econômica na tomada de decisões públicas que interfiram no calendário produtivo de Rondonópolis.
A CDL defende que vereadores, Poder Executivo e demais autoridades avaliem previamente os impactos para empresas, trabalhadores, arrecadação e desenvolvimento econômico antes da criação de novos feriados ou de medidas que reduzam dias de atividade.
O próprio parecer técnico reconhece a importância histórica, cultural e social que determinadas datas podem representar, mas recomenda que decisões dessa natureza sejam precedidas de análise de custo-benefício e diálogo com os setores produtivos diretamente afetados.
Em uma cidade que se consolidou como polo regional de comércio, serviços, logística e apoio ao agronegócio, cada dia útil representa geração de faturamento, renda, empregos, tributos e oportunidades. A análise aponta que Rondonópolis possui elevada sensibilidade à redução da atividade comercial justamente pela dependência da circulação diária de consumidores e da regularidade do funcionamento empresarial.
A mensagem central do estudo é que decisões públicas também possuem consequências econômicas. Valorizar datas, histórias e tradições é legítimo, mas isso não elimina a necessidade de avaliar o impacto sobre quem abre as portas todos os dias, emprega, paga impostos e movimenta a economia de Rondonópolis.