El Niño atinge intensidade inédita para julho e acende alerta para Mato Grosso; calor extremo, seca e queimadas podem marcar o segundo semestre

O fenômeno El Niño está se intensificando de forma mais rápida do que o esperado e já registra níveis inéditos para o mês de julho, aumentando o risco de um dos eventos mais fortes da história recente. Especialistas apontam que o aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico supera os 2°C em algumas regiões, um patamar normalmente observado apenas no fim do ano durante episódios intensos.

A preocupação é ainda maior porque o fenômeno deve ganhar força ao longo do segundo semestre de 2026, com alta probabilidade de permanecer ativo até o início de 2027. Segundo uma nota técnica conjunta do INPE, INMET, Censipam e Funceme, a chance de consolidação do El Niño ultrapassa 80%, com potencial para provocar eventos climáticos extremos em diversas regiões do país.

Mato Grosso pode enfrentar calor intenso e estiagem prolongada

Em Mato Grosso, os principais impactos esperados são o aumento das temperaturas, redução das chuvas durante a estação seca e atraso na regularização das precipitações no início do período chuvoso.

O estado poderá registrar:

  • Temperaturas acima da média por vários meses;
  • Baixa umidade relativa do ar, com índices críticos;
  • Aumento significativo do risco de queimadas e incêndios florestais;
  • Maior pressão sobre rios, reservatórios e nascentes;
  • Prejuízos para a agricultura e pecuária, especialmente nas lavouras que dependem do início regular das chuvas;
  • Maior consumo de energia elétrica devido ao calor intenso.

Risco de temporada histórica de incêndios

Um dos maiores receios é a intensificação dos incêndios florestais.

Com vegetação extremamente seca, temperaturas elevadas e baixa umidade, Mato Grosso pode enfrentar uma temporada de fogo semelhante ou até superior às registradas nos anos mais críticos.

Biomas como o Pantanal, Cerrado e parte da Amazônia mato-grossense ficam especialmente vulneráveis, aumentando os impactos ambientais, econômicos e na saúde da população.

Além da destruição da vegetação, as queimadas elevam a concentração de fumaça, pioram a qualidade do ar e aumentam os casos de problemas respiratórios, principalmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.

Agricultura também entra em alerta

O agronegócio mato-grossense acompanha de perto a evolução do fenômeno.

Caso o El Niño mantenha a intensidade projetada, produtores podem enfrentar atraso no plantio da soja, dificuldades para o desenvolvimento das lavouras e impactos sobre a produção de milho da segunda safra no próximo ciclo.

A pecuária também pode sofrer com a redução da disponibilidade de pastagens e água para os animais.

Fenômeno ainda pode ganhar força

Os modelos climáticos mais recentes indicam que o El Niño ainda está em fase de fortalecimento e pode atingir intensidade forte ou muito forte entre o fim de 2026 e o início de 2027. Se esse cenário se confirmar, o evento poderá entrar para a lista dos mais intensos das últimas décadas, com impactos expressivos em diferentes regiões do Brasil.

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Redação GNMT