Ladrões se passavam por moradores para furtar joias, ouro e dólares em apartamentos de luxo em Cuiabá

Criminosos saíam de São Paulo de carro, escolhiam os alvos e permaneciam poucas horas em Mato Grosso antes de retornar

Uma organização criminosa investigada pela Polícia Civil de Mato Grosso viajava de São Paulo até Cuiabá para furtar apartamentos de alto padrão. Os criminosos se passavam por moradores, monitoravam a rotina das vítimas e utilizavam informações sobre os condomínios para conseguir acesso aos imóveis.

A atuação do grupo é alvo da Operação Sacrilegium, deflagrada nesta quarta-feira (2) pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Cuiabá, com apoio da Polícia Civil de São Paulo.

Ao todo, são cumpridas 20 ordens judiciais, sendo 12 mandados de busca e apreensão, um de prisão preventiva, um de internação de menor de idade, três determinações de quebra de sigilo bancário e três bloqueios de valores de até R$ 300 mil.

As medidas foram autorizadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias – Polo Cuiabá.

Grupo escolhia apartamentos e monitorava moradores

Segundo as investigações, os criminosos pesquisavam previamente os nomes dos moradores, endereços dos edifícios, formas de acesso aos condomínios e informações sobre a rotina das possíveis vítimas.

Um dos furtos investigados aconteceu em 13 de abril de 2025, em um apartamento localizado no bairro Duque de Caxias, em Cuiabá.

Conforme a Polícia Civil, um dos integrantes entrou no condomínio se apresentando como morador e permaneceu em pontos que não eram alcançados pelas câmeras de segurança.

Depois que a vítima deixou o apartamento, outro integrante do grupo foi até a portaria e perguntou especificamente pela moradora. A estratégia teria servido para confirmar que ela realmente não estava mais no imóvel.

Com a confirmação, o criminoso que já estava dentro do condomínio seguiu até o apartamento pelas escadas. Ele arrombou a porta de acesso pela cozinha e furtou joias, peças de ouro, pérolas, pedras preciosas e dinheiro em moeda nacional e estrangeira.

O prejuízo estimado foi de aproximadamente R$ 300 mil.

Criminosos chegavam de São Paulo e retornavam após os furtos

Câmeras de segurança e registros de monitoramento das rodovias ajudaram os investigadores a identificar a movimentação do grupo.

De acordo com a investigação, os criminosos entraram em Mato Grosso no dia anterior ao furto e deixaram o estado poucas horas depois da ação, seguindo de volta para São Paulo.

Outro furto investigado ocorreu em 19 de setembro de 2025, também em Cuiabá.

A Polícia Civil aponta que, antes dos crimes, os integrantes avaliavam diferentes condomínios no mesmo dia e compartilhavam informações sobre os possíveis alvos. A partir desses dados, decidiam quais imóveis seriam efetivamente invadidos.

Operação cumpre 20 ordens judiciais

As investigações foram conduzidas em dois inquéritos instaurados pela Derf de Cuiabá, com apoio da Polícia Civil de São Paulo.

A operação recebeu o nome de Sacrilegium, palavra de origem latina relacionada à violação do que é considerado sagrado. O nome faz referência à invasão da residência das vítimas para a prática dos furtos.

As buscas têm como objetivo localizar objetos furtados, aparelhos eletrônicos, documentos, dinheiro e outros elementos que possam ajudar a esclarecer a atuação da organização criminosa.

Os valores bloqueados judicialmente poderão ser utilizados para eventual ressarcimento das vítimas, conforme o andamento do processo e as determinações judiciais.

As investigações continuam para identificar todos os envolvidos e esclarecer a participação de cada integrante no esquema.

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Redação GNMT