A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta quinta-feira (16), a Operação Fariseus, que investiga integrantes de uma mesma família suspeitos de utilizar um projeto religioso como fachada para prestar apoio a uma facção criminosa.
De acordo com as investigações, a suposta atividade missionária em unidades prisionais teria sido desvirtuada para facilitar o contato com presos, intermediar recados, aproximar familiares e até auxiliar na movimentação de dinheiro de origem ilícita.
Durante a operação, foi cumprido um mandado de prisão preventiva, além de buscas e apreensões e outras medidas cautelares, como a quebra de sigilos telefônico, bancário e telemático, e a suspensão do acesso dos investigados a presídios por meio de projetos religiosos.
As apurações começaram após denúncia anônima indicando que o grupo utilizava a entrada em unidades prisionais para manter comunicação com detentos. Embora a entrega de objetos ilícitos ainda não tenha sido comprovada, a análise de dados revelou grande quantidade de mensagens, registros financeiros e conteúdos que indicam ligação com integrantes da facção, incluindo presos e foragidos.
A investigação também identificou movimentações financeiras suspeitas, com uso de contas de terceiros, fracionamento de valores e transferências sucessivas, o que pode caracterizar lavagem de dinheiro. Há ainda indícios de custeio de viagens, aquisição de bens e relações diretas com membros da organização criminosa fora do estado.
Outro ponto que chamou atenção dos investigadores foi a existência de registros de encontros com criminosos em áreas dominadas por facções, além de contatos frequentes por chamadas de vídeo e telefone com lideranças.
Os investigados podem responder por organização criminosa, corrupção de menor, tortura e lavagem de dinheiro. O caso segue em investigação pela Polícia Civil.