Um erro na liberação de um detento está sendo investigado pela Justiça após um crime que chocou moradores de Cuiabá. A Corregedoria-Geral do Tribunal de Justiça de Mato Grosso abriu procedimento para apurar uma possível falha que resultou na soltura de um preso que, dias depois, foi detido suspeito de estuprar e assassinar a própria irmã adolescente.
O principal suspeito é Marcos Pereira Soares, de 23 anos. Ele havia sido condenado a 19 anos de prisão por latrocínio (roubo seguido de morte) ocorrido em 2020, quando matou Severino Messias Santos, de 56 anos. Mesmo com a condenação em regime fechado, ele acabou deixando o presídio após a emissão de um alvará de soltura considerado equivocado.
De acordo com a investigação, a vítima é Estéfane Pereira Soares, de 17 anos. A adolescente desapareceu na noite de terça-feira (10) após sair de casa com o irmão. O corpo dela foi encontrado na noite do dia seguinte dentro de um córrego em uma área de mata da capital.
Segundo a Polícia Civil, o corpo estava submerso, com as mãos e os pés amarrados e apresentava sinais de violência. A jovem também estava enrolada em um lençol, e há indícios de agressão sexual.
A delegada Jéssica Assis, responsável pelo caso, informou que o suspeito teria procurado a irmã após sair da prisão e a convidado para conversar. Depois desse encontro, a adolescente não foi mais vista. Durante as buscas, familiares chegaram a questionar Marcos sobre o paradeiro da jovem, mas ele teria apresentado versões contraditórias e fugido para uma área de mata.
O corpo foi localizado por familiares e moradores da região. Poucas horas depois, policiais militares encontraram o suspeito caminhando por uma avenida e realizaram a prisão.
Ele foi levado para a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), onde a Justiça decretou prisão preventiva. O homem passou a responder por suspeita de sequestro, estupro, feminicídio e ocultação de cadáver, além de investigação por possível tortura.
Mesmo detido, Marcos negou envolvimento no crime e afirmou que apenas conversou rapidamente com a irmã antes de seguir outro caminho. A polícia, no entanto, afirma que as versões apresentadas por ele não coincidem com as evidências encontradas durante a investigação.
A Corregedoria do Tribunal de Justiça investiga se houve erro humano no sistema de registros judiciais, já que foram identificados dois processos vinculados ao nome do suspeito, o que pode ter causado a emissão indevida do alvará de soltura.
Segundo o tribunal, até o momento não há indícios de falha no sistema, mas sim possível erro na verificação dos dados. A investigação busca esclarecer como ocorreu a liberação do preso e quem foi responsável pelo procedimento.