A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou na manhã desta quinta-feira (26) a segunda fase da Operação Midnight, com o objetivo de cumprir 14 ordens judiciais contra membros de uma facção criminosa investigados pelos crimes de homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver no município de São José do Xingu (a 950 km de Cuiabá).
As ações ocorrem simultaneamente em três cidades do interior: São José do Xingu, Porto Alegre do Norte e Água Boa. Ao todo, estão sendo cumpridos seis mandados de prisão, três preventivas e três temporárias, quatro de busca e apreensão domiciliar e quatro de afastamento de sigilo telefônico, todos expedidos pela Terceira Vara Criminal de Porto Alegre do Norte.
De acordo com as apurações, Borel teve a morte decretada pela facção após sofrer um "salve", termo utilizado pelo crime organizado para designar uma ordem de punição. Ele foi atraído até uma residência que servia como ponto de apoio dos criminosos, sob o pretexto de usar entorpecentes. No local, durante uma videochamada com lideranças do grupo, teve sua execução determinada por supostamente ter "traído" um dos líderes locais da facção.
A investigação revelou que Marcos e esse líder haviam torturado uma pessoa em dezembro de 2024. Por esse crime, ambos foram presos e condenados. O histórico de conflitos entre eles teria motivado a sentença de morte.
Após a execução, os criminosos utilizaram uma motocicleta para transportar o corpo até um local onde foi ocultado. Até o momento, o cadáver de Borel não foi localizado.
Nos seis meses seguintes, as investigações se aprofundaram com análises técnicas, deferimentos judiciais de medidas cautelares e diligências qualificadas. O trabalho incluiu relatos testemunhais, relatórios detalhados e outros meios de obtenção de provas que, segundo a Polícia Civil, foram suficientes para comprovar ao Ministério Público e ao Poder Judiciário a materialidade do homicídio, mesmo sem a localização do corpo.
O delegado Onias Estevam Pereira Filho, responsável pelas investigações, afirmou que foram reunidos elementos probatórios consistentes que indicam a participação de ao menos seis pessoas na empreitada criminosa.
A prática, segundo a polícia, visa criar vínculos com a comunidade local, dificultando a colaboração com as autoridades e garantindo terreno fértil para o recrutamento de novos integrantes.
A ação integra o planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso para o ano de 2026, por meio da Operação Pharus, dentro do programa Tolerância Zero, programa voltado ao combate sistemático às facções criminosas em todo o estado.