Megaoperação com 75 ordens judiciais investiga peculato, lavagem de dinheiro e associação criminosa; esquema usava emendas parlamentares e instituto para repassar recursos ilícitos.
A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta terça-feira (27), a Operação Gorjeta, uma das maiores ações contra corrupção municipal dos últimos tempos em Mato Grosso. A operação cumpre 75 ordens judiciais para desarticular um esquema criminoso que lesou os cofres públicos de Cuiabá, com foco direto na Câmara de Vereadores e na Secretaria Municipal de Esportes. Entre os investigados estão o vereador Chico 2000, servidores públicos, um instituto sem fins lucrativos, empresas e um empresário.
As investigações, conduzidas pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), revelaram um sistema de "devolução" ilegal de recursos. Segundo os policiais, o grupo direcionava emendas parlamentares para um instituto e uma empresa previamente escolhidos. Após a liberação do dinheiro público, parte dos valores retornava ao parlamentar responsável pela indicação, em uma clara prática de peculato (desvio de verbas), lavagem de dinheiro e associação criminosa.
Mais de 40 policiais da Diretoria de Atividades Especiais (DAE) estão cumprindo as determinações autorizadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias de Cuiabá. As medidas incluem: 12 mandados de busca e apreensão e 12 ordens de acesso a dados em aparelhos eletrônicos.
Suspensão imediata do vereador Chico 2000 e de dois servidores da Câmara Municipal, que foram afastados de suas funções. Medidas cautelares para seis investigados, como proibição de contato entre si, impedimento de acesso à Câmara e à Secretaria de Esportes, restrição de saída da comarca e entrega de passaportes.
Bloqueio Patrimonial de Mais de R$ 676 mil
A Justiça determinou um congelamento inicial de R$ 676.042,32 em contas bancárias de nove pessoas físicas e jurídias ligadas ao esquema. A operação também atingiu o patrimônio dos investigados, com o sequestro de sete veículos, uma motocicleta, uma embarcação, um reboque e quatro imóveis.
Para evitar novos prejuízos, a decisão judicial proíbe que o Poder Executivo e o Legislativo de Cuiabá realizem qualquer contratação ou nomeação envolvendo os investigados. Além disso: As atividades do instituto sem fins lucrativos envolvido foram suspensas. A Controladoria-Geral do Município deve realizar auditorias em todos os termos de parceria firmados com o instituto.
O Município está impedido de contratar ou efetuar pagamentos às duas empresas investigadas.
A Operação Gorjeta ainda está em andamento. Novas informações e possíveis novas medidas devem surgir com o avanço das análises dos materiais apreendidos e dos dados extraídos dos dispositivos eletrônicos. A ação faz parte do esforço contínuo das polícias e do Ministério Público para coibir desvios de recursos públicos que prejudicam a população cuiabana.