O corpo de Patrick de Oliveira Lucas, 26 anos, foi localizado pela polícia após nove dias de buscas; um suspeito foi preso por ocultação de cadáver.
Um crime de extrema crueldade chocou o bairro Boa Vista, em Tangará da Serra. Patrick de Oliveira Lucas, 26 anos, foi vítima de uma execução sumária atribuída ao Comando Vermelho (CV) após ser acusado pela facção de ser "cagueta" – gíria para dedo-duro. O corpo do jovem foi localizado apenas nesta sexta-feira (09), nove dias após seu desaparecimento, enterrado em uma área de mata.
As investigações da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) revelam um cenário de barbárie. De acordo com depoimentos colhidos pela polícia, incluindo o de um dos envolvidos que já foi preso por ocultação de cadáver, a vítima foi levada para o local do crime na noite do último dia 1º de dezembro, após se reunir com amigos em um espetinho.
Na mata, integrantes do Comando Vermelho amarraram Patrick, cavaram uma cova rasa e o obrigaram a se ajoelhar dentro dela. Na sequência, os criminosos desferiram quatro golpes de picareta na cabeça do jovem, executando-o friamente. O corpo foi enterrado no mesmo local, em uma tentativa de ocultar o homicídio.
As diligências policiais começaram logo após o registro do desaparecimento e se intensificaram com o passar dos dias. As investigações levaram as equipes até a região de mata, onde o corpo foi finalmente localizado. As informações repassadas pelo suspeito preso foram cruciais para o desfecho do caso.
O homem detido confessou à polícia a participação no ocultamento do corpo e detalhou o motivo do crime: a facção considerava Patrick uma "cagueta". A motivação, comum no meio criminoso, expõe a brutalidade e a lei do silêncio impostas por essas organizações.
O local do crime, uma área de mata no bairro Boa Vista, foi totalmente isolado e periciado. A cova rasa onde Patrick foi obrigado a se ajoelhar e, em seguida, enterrado, se tornou o símbolo macabro de uma execução que misturou crueldade e ritualismo, típicos de métodos utilizados por facções para disseminar o medo e "exemplificar" punições.
A polícia segue em busca dos demais participantes do homicídio. O caso agora é investigado como latrocínio (quando há roubo seguido de morte) ou homicídio qualificado, a depender das conclusões das investigações sobre a motivação exata e a dinâmica do crime.
O corpo de Patrick foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para exames, e a família, que agonizou durante os dias de desaparecimento, agora inicia o luto diante da brutalidade constatada. A comunidade do bairro Boa Vista vive um clima de apreensão e horror com a violência explícita do ocorrido.