Cientistas identificaram diferenças na atividade cerebral entre adultos com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e pessoas sem o transtorno. A descoberta ajuda a compreender melhor como o cérebro de quem tem TDAH funciona e pode contribuir para melhorar diagnósticos e tratamentos no futuro.
O estudo analisou exames de imagem do cérebro e observou que adultos com TDAH apresentam padrões diferentes de comunicação entre regiões cerebrais responsáveis por atenção, controle de impulsos e tomada de decisões. Essas áreas fazem parte das chamadas redes de controle executivo do cérebro.
Os pesquisadores verificaram que a atividade cerebral dessas pessoas pode apresentar maior instabilidade e variação ao longo do tempo, o que pode explicar sintomas comuns do transtorno, como dificuldade de concentração e problemas para manter o foco em tarefas por longos períodos.
Segundo os cientistas, essas diferenças não significam necessariamente um cérebro “menos eficiente”, mas sim um funcionamento diferente, que pode influenciar a maneira como as pessoas com TDAH processam informações e respondem a estímulos.
O TDAH é considerado um transtorno do neurodesenvolvimento que normalmente começa na infância e pode continuar na vida adulta. Estudos indicam que uma parte significativa das pessoas diagnosticadas quando crianças mantém sintomas ao longo da vida, afetando áreas como estudo, trabalho e relações pessoais.
Os autores da pesquisa destacam que compreender melhor a atividade cerebral associada ao TDAH pode ajudar no desenvolvimento de novas estratégias de diagnóstico e tratamento, além de reduzir estigmas relacionados ao transtorno.
Apesar dos avanços, os especialistas ressaltam que ainda são necessários novos estudos para entender completamente como essas diferenças cerebrais influenciam o comportamento e a vida diária das pessoas com TDAH.
O gráfico acima mostra mapas da atividade cerebral de adultos com TDAH e de pessoas sem o transtorno durante uma tarefa que exigia atenção.
As cores indicam a intensidade de um tipo de atividade cerebral associado a estados de sonolência.
Nos participantes com TDAH, essa atividade aparece mais espalhada pelo cérebro — especialmente em áreas ligadas à atenção e ao processamento de informações — sugerindo que partes do cérebro entram com mais frequência em um estado semelhante ao do sono mesmo quando a pessoa está acordada.
Segundo os pesquisadores, esses breves “desligamentos” podem ajudar a explicar por que pessoas com TDAH têm mais dificuldade para manter a concentração ao longo do tempo.