Um episódio de violência e constrangimento vivido por um casal de torcedores na final do Campeonato Paulista de 2023 resultou em uma condenação judicial contra a Sociedade Esportiva Palmeiras. O clube foi sentenciado a pagar R$ 20 mil em indenização por danos morais, após a Justiça do Mato Grosso entender que houve omissão e falha na segurança do estádio.
O caso, amplamente divulgado na época por um vídeo da Cazé TV que ultrapassou 9 milhões de visualizações, envolveu o empresário rondonopolitano Thiago Sperança, o "Thiago Tropical", torcedor do Flamengo, e sua companheira Soraya, palmeirense. O casal estava de férias em São Paulo e decidiu realizar o sonho dela: assistir a uma final do Palmeiras no Allianz Parque.
O problema começou com a cor da camiseta de Thiago: um modelo preto. Apesar de ser flamenguista, a cor foi associada por parte da torcida alviverde ao rival Corinthians. Segundo relatos apresentados ao tribunal, ainda durante a partida o casal passou a sofrer hostilidades, xingamentos e ameaças.
A situação escalou para um ato de coerção e humilhação. De acordo com o processo, um torcedor do Palmeiras abordou Thiago de forma agressiva e o obrigou a comprar e vestir uma camisa do clube, sob a ameaça de expulsão do local. “Ou compra o manto, ou uma camisa verde, ou vai embora daqui”, teria gritado o agressor.
Temendo pela segurança, a ponto de Soraya dizer “Thiago, vamos embora, estão falando que vão matar a gente aqui”, o casal tentou deixar o estádio no intervalo. Na saída, foram alvo de mais xingamentos, arremesso de objetos, ameaças de morte e Thiago levou um tapa na cabeça e teve o boné roubado.
A ação judicial movida pelo casal apontou omissão da segurança privada do estádio, que teria presenciado os fatos sem intervir. A defesa do Palmeiras alegou que o clube não tinha responsabilidade direta (ilegitimidade passiva) e que não houve dano moral, argumentando ainda que a associação da cor preta ao Corinthians é comum entre seus torcedores.
A Justiça, no entanto, rejeitou todos os argumentos do clube. A decisão foi baseada na Lei Geral do Esporte e no Estatuto do Torcedor, que estabelecem a responsabilidade objetiva do mandante do jogo pela segurança de todos os presentes. O tribunal destacou que "o torcedor tem direito à proteção antes, durante e após a realização da partida" e que não houve qualquer ação eficaz para conter as agressões, amplamente documentadas.
Além do trauma do episódio, o casal relatou ter sido submetido a mais de uma hora de interrogatório pela polícia dentro do estádio, "como se fossem culpados", o que aumentou a sensação de humilhação.
Com a sentença, o Palmeiras foi condenado a pagar **R$ 10 mil para cada um dos ofendidos**, totalizando R$ 20 mil. A decisão serve como um reforço à responsabilidade dos clubes em coibir a violência e garantir que os estádios sejam ambientes seguros para todos os torcedores, independentemente de suas cores.