Caso Banco Master: entenda tudo o que já aconteceu e os próximos passos

O caso Banco Master tornou-se um dos maiores escândalos financeiros recentes no Brasil, envolvendo fraudes, liquidação bancária, investigação policial e impactos bilionários no sistema financeiro nacional.

1. Liquidação extrajudicial e rombo bilionário

Em novembro de 2025, o Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, após identificar que a instituição estava em grave crise de liquidez e não tinha capacidade de honrar seus compromissos. No momento da liquidação, o banco tinha cerca de R$ 80 bilhões em ativos, mas apenas R$ 4 milhões em caixa.

A liquidação também se estendeu a outras instituições financeiras ligadas ao grupo, incluindo o Will Bank e o Banco Pleno, totalizando um rombo estimado em mais de R$ 50 bilhões que deverão ser cobertos pelos mecanismos do mercado financeiro.

2. Investigações da Polícia Federal

Paralelamente à liquidação do banco, a Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Compliance Zero, que investiga supostas irregularidades como gestão fraudulenta, organização criminosa e emissão de títulos de crédito falsos vinculados ao Banco Master. O controlador da instituição, Daniel Vorcaro, foi preso em São Paulo como parte dessa apuração.

3. Ligação com outras instituições e o BRB

O escândalo também envolveu o Banco de Brasília (BRB), que entre 2023 e 2024 adquiriu carteiras de crédito do Master estimadas em R$ 12,2 bilhões, muitas das quais foram consideradas ativos inexistentes ou superfaturados pelas investigações.

Em meio à crise, o então presidente do BRB pediu à PF para depor novamente e esclarecer pontos da negociação com o Master, afirmando que a intenção não era “salvar” a instituição, mas que havia divergências sobre a avaliação dos ativos.

4. Pagamentos a credores via FGC

Para proteger os investidores, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) começou a pagar as garantias aos credores do Banco Master — ou seja, ressarcir valores aplicados até o limite de R$ 250 mil por CPF. Até fevereiro de 2026, o FGC já havia desembolsado cerca de R$ 37,2 bilhões, atendendo mais de 650 mil investidores.

Apesar de o tamanho do rombo ser enorme, autoridades dizem que a liquidação do Master não representa risco imediato à liquidez do fundo, que possui mecanismos de recomposição e pode discutir ajustes com o mercado e o Banco Central ao longo do tempo.

5. Nova relatoria no STF e próximos passos

O caso também chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF). Inicialmente sob relatoria do ministro Dias Toffoli, ele retirou-se da investigação após questionamentos sobre possíveis conflitos, e a relatoria passou para o ministro André Mendonça. Nos bastidores, Mendonça tem sinalizado que dará “carta branca” à PF para conduzir a investigação com maior liberdade.

Ainda não há uma previsão de quando o processo criminal será concluído, nem se haverá acusações formais além da prisão de Vorcaro. A investigação segue combinando apurações financeiras, cooperação entre órgãos reguladores e policiamento federal.

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Redação GNMT