Governo detalha congelamento de R$ 7,7 bilhões no Orçamento; Cidades e Agricultura concentram maior corte

O governo federal publicou, nesta sexta-feira (28), o decreto que oficializa o congelamento de R$ 7,7 bilhões em despesas do Orçamento de 2025. A medida atinge principalmente os ministérios das Cidades e da Agricultura e Pecuária, e faz parte do ajuste necessário para cumprir a meta fiscal estabelecida pelo novo arcabouço.

O bloqueio recai sobre as chamadas despesas discricionárias — gastos não obrigatórios, como investimentos e custeio administrativo. Segundo o Ministério da Fazenda, a revisão das receitas neste bimestre mostrou crescimento abaixo do esperado, o que levou à necessidade de segurar parte do orçamento previsto.

Onde estão os maiores cortes

De acordo com o decreto, os ministérios mais afetados são:

  • Cidades: R$ 1,2 bilhão

  • Agricultura e Pecuária: R$ 474 milhões

  • Defesa: R$ 456,8 milhões

  • Saúde: R$ 405 milhões

O governo informou ainda que, no caso específico do Ministério das Cidades, parte do valor congelado poderá ser remanejado posteriormente para atender outras demandas prioritárias.

Bloqueio x contingenciamento: o que muda?

Com o arcabouço fiscal, duas ferramentas podem ser usadas para equilibrar as contas públicas:

  • Bloqueio: relacionado ao limite de gastos; só pode ser liberado se houver redução comprovada de despesas no próximo relatório bimestral.

  • Contingenciamento: depende da meta fiscal; pode ser revertido caso a arrecadação cresça ao longo do ano.

O relatório bimestral publicado na semana passada já havia apontado a necessidade de congelar R$ 7,7 bilhões. Em relação ao cenário anterior, houve uma pequena liberação de R$ 644 milhões.

Meta fiscal segue desafiadora

A projeção atual indica que o governo deve encerrar 2025 com déficit de R$ 75,7 bilhões. No entanto, pelas regras fiscais, gastos com precatórios — estimados em R$ 44,4 bilhões — podem ser retirados do cálculo.

Com esse abatimento, o déficit efetivo ficaria em R$ 34,2 bilhões, ainda acima da meta permitida pelo arcabouço. Com os bloqueios anunciados, o governo volta a estimar que fechará o ano dentro do limite, em torno de R$ 31 bilhões de déficit.

Regras do arcabouço fiscal

A legislação em vigor determina que:

  • Gastos só podem crescer até 70% do aumento da arrecadação;

  • Se a meta não for alcançada, o limite cai para 50% nos anos seguintes;

  • A expansão anual das despesas não pode ultrapassar 2,5% acima da inflação;

  • O objetivo central é conter o avanço da dívida pública e estabilizar o ambiente econômico.

Histórico recente das contas públicas

As contas do governo voltaram ao azul pela última vez em 2022, mas de forma considerada pontual. Em 2023, com ampliação de gastos prevista na PEC da Transição, o déficit chegou a R$ 230,5 bilhões, influenciado pelo pagamento de precatórios em atraso.

Em 2024, mesmo com as novas regras fiscais, houve déficit de R$ 43 bilhões, agravado pelos gastos emergenciais para socorrer o Rio Grande do Sul após as enchentes.

Para 2025, a previsão oficial é fechar o ano com rombo de R$ 73,5 bilhões, reduzido a R$ 30,2 bilhões após os abatimentos previstos em lei.

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Redação GNMT