Após decisão de Flávio Dino, presidente da CPMI defende legitimidade de votação e critica interferência

O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga irregularidades no INSS, o senador Carlos Viana, saiu em defesa da votação realizada pelo colegiado após a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, que suspendeu parte das medidas aprovadas pela comissão.

A manifestação ocorreu depois que Dino determinou a suspensão da quebra de sigilos aprovada pela CPMI, medida que atingia diversos investigados, incluindo o empresário Fábio Luís Lula da Silva. O magistrado entendeu que os pedidos foram aprovados em votação conjunta, sem análise individualizada de cada requerimento.

Segundo a decisão, a comissão não pode determinar medidas invasivas, como quebra de sigilo bancário ou fiscal, por meio de votação em bloco, sem apresentar justificativas específicas para cada caso investigado.


Defesa da votação da CPMI

Em resposta à decisão do STF, Carlos Viana afirmou que a votação realizada pela comissão é legítima e está amparada pelas prerrogativas constitucionais do Congresso Nacional.

De acordo com o senador, a Constituição estabelece que o Parlamento tem a função de fiscalizar o uso de recursos públicos e investigar eventuais irregularidades na administração pública.

Em nota, Viana afirmou que é preciso preservar as competências do Legislativo.

Segundo ele, o procedimento adotado pela comissão — votação de requerimentos em bloco — não é novidade no funcionamento do Congresso e já foi utilizado em outras comissões parlamentares de inquérito ao longo dos anos.

O parlamentar também afirmou que a situação levanta um debate importante sobre o equilíbrio entre os Poderes da República.

“Passou da hora de o Parlamento brasileiro se levantar em defesa das suas prerrogativas constitucionais”, afirmou o senador ao comentar a decisão judicial.


Entenda a decisão do STF

A decisão do ministro Flávio Dino foi tomada após pedido apresentado pela defesa da empresária Roberta Luchsinger, que contestou a quebra de seus sigilos aprovada pela comissão.

Na avaliação do ministro, medidas como quebra de sigilo exigem fundamentação individualizada, ou seja, precisam apresentar justificativas específicas para cada investigado. A aprovação coletiva de dezenas de requerimentos, segundo o magistrado, não atende a esse requisito legal.

A votação contestada aprovou, de uma só vez, dezenas de pedidos relacionados à investigação sobre possíveis fraudes no sistema do INSS, incluindo quebras de sigilo, convocações e solicitações de dados a órgãos de controle.


Possível recurso do Congresso

Após a decisão, a cúpula da CPMI informou que pretende avaliar medidas jurídicas para contestar a determinação do Supremo.

A Advocacia do Senado foi acionada para analisar a possibilidade de apresentar recursos e esclarecer se a decisão do STF se aplica apenas ao caso específico analisado ou se pode afetar outros pedidos aprovados pela comissão.

Nos bastidores do Congresso, parlamentares avaliam que a decisão pode ampliar o debate sobre os limites entre as atribuições do Legislativo e do Judiciário nas investigações conduzidas por comissões parlamentares de inquérito.

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Redação GNMT