Médica é investigada por suposta tentativa de alterar prontuário após morte de menino em Manaus

A investigação sobre a morte do menino Benício Xavier, de 6 anos, registrou um desdobramento grave: segundo a autoridade responsável pelo caso, ao menos três funcionárias do hospital afirmam que a médica responsável pelo atendimento tentou adulterar o prontuário médico para mascarar um erro na administração de medicação.

O que se sabe até agora

Benício foi atendido em hospital particular depois de apresentar sintomas semelhantes aos de uma infecção respiratória. Na medicação prescrita, foi aplicada adrenalina — mas pela via intravenosa, e não inalatória, como seria o indicado no quadro do menino. A criança acabou falecendo após múltiplas paradas cardíacas.

Documentos enviados à investigação mostram que a médica chegou a aceitar ter cometido um erro. Porém, em depoimento posterior, ela mudou sua versão e alegou que o sistema eletrônico do hospital teria alterado automaticamente a via da administração da medicação, fazendo com que a prescrição fosse registrada como intravenosa sem que ela percebesse.

Contudo, os relatos das testemunhas reforçam a suspeita de tentativa de manipulação. Elas afirmam que a profissional tentou acessar o prontuário imediatamente após o atendimento, com o objetivo de suprimir os registros originais e substituir a via de administração da medicação.

Diligências em curso

A polícia segue investigando o caso sob a linha de homicídio doloso qualificado. A equipe já colheu depoimentos de médicos, enfermeiros e demais servidores que atuavam no plantão. A perícia no sistema de prontuário eletrônico e a análise interna da unidade hospitalar também fazem parte do inquérito.

Enquanto isso, o hospital afastou a médica e a técnica de enfermagem envolvidas, e o conselho de classe competente abriu processo ético para avaliar a conduta profissional.

Reações familiares e repercussão

Pais e familiares do menino vêm acompanhando com atenção o andamento das investigações. Para eles, a perda configura não só uma falha médica, mas um erro grave que merecia responsabilização. A possibilidade de alteração de prontuário, se confirmada, aumentaria a gravidade da conduta investigada.

O caso ganhou destaque nacional, reacendendo debates sobre segurança no atendimento médico, uso de protocolos hospitalares e a responsabilidade de profissionais e instituições em casos que envolvem risco de vida.

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Redação GNMT