O governo federal afirmou nesta terça-feira (27) que não tinha conhecimento prévio sobre um contrato firmado entre o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, e o Banco Master, instituição financeira que está no centro de investigações da Polícia Federal e de órgãos reguladores.
Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) relataram à imprensa que a existência do contrato não foi compartilhada com o Palácio do Planalto antes da nomeação de Lewandowski para o cargo no início de 2024, e que a equipe busca minimizar politicamente o episódio.
De acordo com as apurações, o escritório de advocacia ligado a Lewandowski teria mantido um acordo de consultoria jurídica com o Banco Master — que é investigado por irregularidades — em valores significativos enquanto o ex-ministro ocupava a pasta. Embora o governo alegue não ter sido informado sobre o vínculo, essa continuidade tem gerado questionamentos públicos e pressão por esclarecimentos.
Em nota, Lewandowski confirmou que prestou serviços de consultoria jurídica ao Banco Master, mas ressaltou que deixou oficialmente a advocacia e suspendeu seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) ao ser convidado para assumir o Ministério da Justiça, em janeiro de 2024.
O caso ganhou repercussão política e jurídica nas últimas semanas, com debates sobre eventual conflito de interesse e a extensão do conhecimento do Palácio do Planalto sobre as atividades contratuais de membros do governo antes de suas nomeações.
Até o momento, integrantes da gestão reafirmam que não houve conflito de interesse ou irregularidade formal na nomeação, enquanto as apurações seguem em curso.