Justiça revoga prisão e determina desbloqueio de bens de empresa agropecuária investigada por golpes milionários em MT

Decisão também autorizou liberação de valores para pagamento de funcionários enquanto investigação sobre supostas fraudes na compra de grãos continua

A Justiça determinou a revogação da prisão e o desbloqueio de bens de uma empresa agropecuária investigada por aplicar golpes milionários em Mato Grosso. A decisão foi tomada após a análise de novos documentos apresentados no processo que investiga o suposto esquema de fraudes no setor do agronegócio.

A empresa é alvo da Operação Agro-Fantasma, deflagrada pela Polícia Civil para investigar crimes de estelionato e associação criminosa relacionados à compra e venda de grãos no estado.

De acordo com as investigações, o grupo se apresentava como um negócio sólido no mercado, mas utilizava fraudes estruturadas para adquirir grãos a prazo e revendê-los à vista, deixando produtores rurais com prejuízos milionários após interromper os pagamentos das dívidas.

Desbloqueio de bens

Ao reavaliar o caso, o juiz entendeu que manter o bloqueio total dos ativos financeiros da empresa poderia prejudicar o funcionamento da atividade econômica e afetar terceiros, como funcionários que dependem dos salários pagos pela empresa.

Por isso, a decisão autorizou o desbloqueio parcial de valores, incluindo cerca de R$ 410 mil destinados ao pagamento da folha salarial dos colaboradores.

Segundo o magistrado, a Justiça pode revisar medidas cautelares quando surgem novas informações no processo. O juiz também destacou que já existem outros bens bloqueados no caso, além de registros de pagamentos superiores a R$ 30 milhões realizados anteriormente em negociações com a suposta vítima, o que reduziu a necessidade de manter o bloqueio integral das contas.

Investigação

A investigação teve início após um produtor rural denunciar prejuízo de cerca de R$ 70 milhões em negociações envolvendo compra e venda de grãos e aeronaves.

Durante a operação, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão e determinou bloqueio de contas bancárias e bens dos investigados, incluindo veículos de luxo, imóveis e uma aeronave avaliada em mais de R$ 5,8 milhões.

Os mandados foram cumpridos em cidades de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, e as investigações são conduzidas pela Delegacia de Polícia Civil de Comodoro.

Defesa

A defesa dos empresários afirma que o caso se trata de um desacordo comercial, e não de crime, sustentando que as negociações ocorreram dentro da legalidade e que diversos pagamentos já haviam sido realizados.

O juiz informou que uma análise mais aprofundada das provas ainda será feita, o que pode levar à revisão de outras medidas cautelares adotadas no processo. 

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Redação GNMT