Lei altera critérios da moratória da soja em Mato Grosso e amplia exigências para produtores

O governo de Mato Grosso passou a aplicar novas regras à moratória da soja, instrumento que estabelece critérios ambientais e de comercialização para a produção do grão no estado. As mudanças foram introduzidas por meio de uma lei aprovada recentemente pela Assembleia Legislativa e sancionada pelo Executivo, com o objetivo de fortalecer o combate ao desmatamento e aprimorar a rastreabilidade da cadeia produtiva.

A moratória da soja é um compromisso firmado originalmente entre produtores, setor privado e órgãos públicos, que proíbe a comercialização de soja produzida em áreas desmatadas após julho de 2008. A nova legislação amplia a abrangência dos critérios, estabelecendo exigências mais rígidas quanto à apresentação de documentos comprobatórios de origem e conformidade ambiental por parte dos agricultores e tradings.

Entre as principais alterações previstas está a obrigatoriedade de que os produtores apresentem licenciamento ambiental atualizado, além de comprovantes de que as áreas utilizadas não sofreram desmatamento ilegal dentro dos prazos estabelecidos. A lei também prevê a realização de certificações por órgãos independentes e a necessidade de relatórios anuais que atestem a observância das normas ambientais vigentes.

Outro ponto importante diz respeito à rastreabilidade: empresas compradoras de soja em Mato Grosso deverão manter sistemas que permitam identificar, com precisão, a origem de todo o grão adquirido, incluindo a localização exata das fazendas fornecedoras. A medida visa tornar mais transparente a cadeia de produção, facilitando a identificação de eventuais irregularidades e coibindo práticas que possam incentivar o uso de áreas desmatadas ilegalmente.

A legislação também estabelece sanções administrativas para produtores e tradings que descumprirem os novos critérios. As penalidades podem incluir desde advertências e multas até a suspensão temporária da comercialização com agentes que exigem conformidade ambiental, além da possibilidade de inclusão em cadastros de restrições comerciais.

Autoridades estaduais destacam que a atualização da moratória representa um avanço significativo nas políticas ambientais de Mato Grosso, alinhando o estado às expectativas de mercados internacionais cada vez mais exigentes em relação à sustentabilidade. Segundo o governo, as mudanças devem contribuir para consolidar a imagem de Mato Grosso como um dos principais produtores de soja responsável ambientalmente, além de reduzir os riscos de embargo por compradores que adotam padrões rigorosos de compra.

Representantes do setor produtivo, por outro lado, têm debatido internamente os impactos das novas exigências. Enquanto alguns produtores veem as alterações como uma forma de fortalecer a competitividade e a inserção da soja mato-grossense em mercados premium, outros expressam preocupação com os custos adicionais de conformidade e os desafios logísticos para cumprir todas as novas obrigações dentro do cronograma definido.

O governo estadual informou que promoverá seminários e capacitações para apoiar os produtores na adaptação às novas regras, buscando ampliar o acesso à informação e minimizar possíveis entraves operacionais no processo de implementação da lei.

A nova legislação entra em vigor em etapas, com prazos escalonados para que produtores e empresas ajustem seus sistemas de controle, documentação e certificação, buscando assegurar que a cadeia da soja em Mato Grosso esteja alinhada com práticas socioambientais responsáveis e reconhecidas internacionalmente.

Você pode compartilhar esta noticia!

author

Redação GNMT